Como o brincar funciona na escola?  Você sabia que introduzir o brincar no currículo escolar estimula a aprendizagem da criança?

Spodek e Saracho (1998) confirmam isso enfatizando o desenvolvimento físico, cognitivo, criativo, social e a linguagem. Entretanto, para que ocorra com sucesso. Bomtempo (1997) ressalta que é necessário que os professores estejam conscientes de que o brincar promove a aprendizagem na criança.

Seria necessário, inclusive, que eles observassem elas brincando, para então verificarem a etapa do desenvolvimento e constatarem o tipo de estratégias que poderiam facilitar a sua aprendizagem.

Em estudos na população francesa, Brougère (1993) verificou que os jogos mais utilizados nas escolas são os pedagógicos e os de atividade motora. O autor constatou que são os professores que escolhem os materiais e o tempo para a utilização deles. A brincadeira de faz-de-conta apareceu somente nas classes pré-escolares e a brincadeira livre simplesmente não apareceu.

Dentre os estudos realizados no Brasil, Wajskop (1996) verificou que a brincadeira é vista como diversão, mas separada da educação.

Bomtempo (1986) apesar de estudos já falarem a muito tempo sobre a importância da brincadeira, a educação ainda substitui o jogo por atividades consideradas ‘mais sérias

O brincar é substituído por outras atividades. Falta espaço, material, remanejamento dos horários e formação adequada para as professoras. Os estudos de Carvalho, Alves e Gomes (2005) identificaram que o professor reconhece a importância da brincadeira, mas tem dificuldades em utilizá-la.

Leif e Brunelle (1978) mostram a importância do olhar do professor sobre a brincadeira, enfatizando que este necessita, além de uma formação adequada e direcionada, o gosto e interesse pelo brincar.

As pesquisas podem auxiliar os adultos a compreenderem melhor a importância e os significados que as crianças dão às suas experiências, e aos professores a organizar e observar o brincar de seus alunos.

Como os professores podem utilizar o brincar?

Spodek e Saracho (1998) distinguem dois modos de intervenção por parte do professor durante a brincadeira, o participativo e o dirigido.

No modo participativo, a interação do professor visa a aprendizagem durante a brincadeira:

  • As crianças acham um problema e o professor, como que um membro a mais no jogo, tenta junto com o grupo encontrar a solução, estimulando-as a utilizarem a imaginação e criatividade.

No modo dirigido:

  • O professor aproveita a brincadeira para inserir a aprendizagem de conteúdos escolares e dirigir as atividades para situações não lúdicas, causando uma desvalorização do brincar, que deixa de ser espontâneo, impedindo o desenvolvimento da criatividade.

 

Bomtempo (1997) coloca que o professor deve explicar o brincar e não dirigir as atividades. Pois quando a brincadeira é totalmente dirigida por um adulto, ela perde o seu significado espontâneo.

Atenção: a brincadeira nem sempre traz benefícios

Uma pesquisa realizada na Inglaterra por Peter Blatchford revelou que o tempo médio de intervalo entre as aulas vem diminuindo por decorrência do alto índice de comportamentos agressivos e de incidentes violentos.

O autor constatou a forte motivação que as crianças apresentavam para brincadeiras de atividade física intensa. Blatchford (1998) afirma que as em idade escolar têm poucas oportunidades de interação social fora da escola. Desta forma, a hora do intervalo é uma das poucas ocasiões onde as crianças interagem em um ambiente seguro, livre do controle dos adultos. E ainda afirma que a atenção dos professores e supervisores na hora do intervalo pode ajudar a revelar mais sobre a natureza e extensão das dificuldades das crianças com seus grupos.

A hora do intervalo é uma oportunidade para as crianças estabelecerem amizades através da brincadeira livre.  E a amizade pode ser utilizada, posteriormente, como suporte para o ajustamento escolar em habilidades comunicativas e sociais e nos trabalhos em classe.

O brincar deve ter um olhar por parte de toda a equipe educacional. Os professores, auxiliares, inspetores, coordenadores pedagógicos, diretores e todos os que convivem com as crianças no ambiente escolar.

Observar o brincar pode trazer muitas informações que estejam afetando o desempenho escolar, algum tipo de sofrimento, dificuldade ou até bullying. Ao mesmo tempo, pode ser utilizada para potencializar e promover mais engajamento nas atividades educacionais, para todas as idades.

É importante conhecer as etapas do neurodesenvolvimento infantil, para que as atividades lúdicas possam ser propostas de acordo com cada fase. Podendo despertar ainda mais estimulo e interesse por parte das crianças.

# por um mundo mais brincante

*todas as referências citadas no texto, encontram-se no artigo :  A brincadeira e suas implicações nos processos de aprendizagem e de desenvolvimento

 

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