Olá, que bom ter você aqui novamente! Quer conhecer as dicas para estimular seu bebê ainda na barriga? Já falamos sobre o impacto da voz materna no cérebro de uma criança, agora vamos falar sobre essa estimulação quando o bebê ainda está no ventre materno. E o quão importante é a conversa, a música e a história para o desenvolvimento sadio de nossos filhos.

O cérebro necessita de tais estímulos, pois as conexões que deixamos de fazer são perdidas. Num artigo publicado na Scholastic, entendemos que, com atividades simples e que fazemos corriqueiramente, temos a oportunidade de potencializar o poder do cérebro dos nossos bebês, de modo que os 100 bilhões de neurônios existentes no nascimento sejam bem aproveitados por este órgão porque, o que não é utilizado, deve ser eliminado. A este momento, é dado o nome de fase de poda, que ocorre até os 6 anos de idade.

Durante os primeiros anos da infância, haverá trilhões de conexões cérebro-célula, chamadas sinapses neurais. A criança possui o dobro de conexões neurais que um adulto e fornecer a ela experiências afetivas enriquecedoras, aumenta as chances  das conexões acontecerem; o cérebro está mais propício a isto (um bom exemplo, é a facilidade com que as crianças aprendem uma nova língua).

Estimular o seu bebê da forma ideal e no momento certo, permitirá que ele adquira uma linguagem mais rica, raciocínio e habilidades de planejamento – você estará preparando uma excelente base para o adulto que ele virá a ser.

Então vem com a gente, que iniciamos agora, uma série de textos com instruções de como realizar estes estímulos no seu dia a dia – você vai notar que já faz muitas coisas instintivamente e vai descobrir o efeito dessas ações no cérebro do seu bebê!

Como estimular seu bebê ainda na barriga

Por volta da 21ª semana já pode identificar a voz da mãe e demais sons externos como músicas e outras vozes. Embora as primeiras respostas fetais ao som foram relatadas à 16ª semana de gestação, além de preferencialmente responderem à voz materna após o nascimento. Segundo a pesquisa da PLoS, isso sugere que o feto é capaz não só de detectar estímulos no útero, como formar memórias deles.

Por se desenvolver tão cedo, a audição é uma das primeiras fontes de estímulo. Estudos acadêmicos (PNAS), indicam que a exposição ao sons maternos (coração e voz) proporciona ao bebê em formação a aptidão auditiva necessária para moldar o cérebro no desenvolvimento de audição e linguagem.

Mas a voz materna não é a única fonte de estimulação para o bebê enquanto ele ainda esta na barriga. De acordo com as pesquisas da Public Library of Science (PLoS) a voz da mãe mostra um poder de estimulação surpreendente. Os fetos avaliados na pesquisa exibiam mais movimentos de braço, cabeça e boca quando a mãe tocava sua barriga. Eles também diminuiam os movimentos do braço e da cabeça somente para a voz materna.

O bebê entende o ritmo, a entonação e a intensidade e timbre do som, mas ainda não compreende as palavras. E sente quando você está acariciando sua barriga.

Por isso, além de cuidar da sua saúde durante a gestação, evitando álcool, drogas e tabagismo (que causam um alto impacto negativo à saúde e principalmente ao desenvolvimento cerebral do bebê), a estimulação já pode ser iniciada, e nossa primeira orientação é:

7 Dicas de estimulação do bebê ainda na barriga

  1. Converse com seu bebê, pode ser enquanto você está cozinhando, arrumando o quarto do bebê
  2. Tome sol, e acaricie sua barriga, converse com seu bebê
  3. Acaricie sua barriga, aproveite o momento em que você está passando o óleo ou creme na barriga
  4. Conte histórias, leia em voz alta
  5. Faça atividades físicas (caminhadas, yoga, atividades na água), isso transmite uma boa sensação à mãe e ao bebê, e aproveite para cantar e ouvir músicas
  6. Cante para seu bebê, aproveite a hora do seu banho ou quando está dirigindo
  7. Coloque músicas, enquanto está no transito, quando estiver no banho

A música tem um grande poder no desenvolvimento do sistema neurológico do feto, em especial de uma área chamada hipocampo. Esta área está envolvida na aprendizagem, memória, ansiedade e regulação de stress. Além disso apresenta à criança ritmo.

Continue estimulando seu bebê após o nascimento

Depois que o bebê nasce, ele reconhecerá as vozes que fizeram parte de sua formação, e se acalmará com essas vozes e músicas familiares. Experimentos com bebês de até 3 dias, demonstram que os bebês respondem aos sons que ouviram enquanto estavam no ventre (UNESP).

Outra pesquisa do Hospital de Pediatria da Harvard Medical School, mostram que recém nascidos prematuros responderam aos sons maternos com diminuição da frequência cardíaca ao longo do primeiro mês de vida. É possível que os sons maternos melhorem a estabilidade autonômica e ainda proporcionem um ambiente mais relaxante para o bebê.

Lembre como costumamos falar com um bebê. Para algumas pessoas, isso é bastante engraçado, porém a fala com as sílabas bem definidas, voz mais aguda, com ritmo, e expressão facial, ativam no cérebro áreas responsáveis pela compreensão da fala e produção de linguagem – esse jeito que falamos com os bebês chamamos de “parentese”.

Vamos, então, conversar muito com nossos pequenos – não tenha vergonha de falar fininho e pausadamente “QUE BE-BÊ LIN-DO DA MA-MÃE!”. Lembrado sempre de olhar nos olhos e demonstrar com as expressões faciais o que estamos dizendo.

Então, após o nascimento do bebê, as formas de realizar os estímulos são:

  • Responder às vocalizações do bebê. Quando ele começar a emitir sons (como aaaah, agu), responda para ele 
  • Enquanto conversa com ele olhe nos olhos e utilize expressões faciais,
  • Sorria, dê risada,
  • Conte histórias e mostre livrinhos,
  • Cante músicas com vários ritmos,
  • Dance com o bebê no ritmo da música,
  • Emita sons em diferentes lugares para que o bebê acompanhe,
  • Evite brinquedos com barulhos altos,
  • Evite músicas e vídeos em celular e tablets

Dessa maneira, você estará propiciando as conexões necessárias para as próximas fases do desenvolvimento da comunicação e linguagem dos bebês.

Ações que fazem a diferença

Quando contamos histórias aos bebês e crianças, nossa entoação é bem diferente das conversas. Mossas expressões faciais, além de começar a ligar o nome à figura que está vendo. Por isso também é bem importante os momentos de leitura, para que o bebê tenha contato com tons diferentes e palavras que não usamos corriqueiramente. Isso auxilia na ampliação do vocabulário e em diferentes conexões e percepções no cérebro.

A música também tem um grande poder de prender a atenção da criança, e os diversos ritmos que utilizamos desencadeiam diferentes ativações em locais distintos nos cérebros. Leia também nosso post onde falamos especificamente sobre o poder da música no cérebro dos nossos filhos.

Muitos problemas de linguagem, fala, aprendizagem e alfabetização, podem estar ligadas a essa fase, por falta de estímulos de qualidade.

Desenhos animados e videozinhos em eletrônicos NÃO SUBSTITUEM CONVERSA COM A MÃE OU PAI.

É preciso olho no olho para estimulação da linguagem, falar e ouvir, ouvir e responder. Pois a experiência auditiva intrauterina e nos primeiros anos de vida, são períodos críticos para o desenvolvimento da linguagem. Esse desenvolvimento somente será efetiva com o contato com pessoas que tenham uma forte relação afetiva.

Então, muita conversa, música e leitura, é a dica da vez!

Referência: Revista de Pediatria do Centro Hospitalar do Porto

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