Hoje estive em uma entrevista com a Sarah, foi uma conversa fantástica, com muitas perguntas interessantes. E que além de me fazer refletir para responder, me fez refletir o quanto o brincar hoje está mecanizado.

Os brinquedos da moda, que todos PRECISAM TER, muitos brinquedos que brincam sozinhos, regras fixas e sem flexibilidade. Praticamente nada de inovação por parte da criança.

Muitas ideias surgiram a respeito do brincar das crianças. Muitas crianças que atendo, relatos de famílias, e mesmo na observação do dia a dia, enquanto vejo as crianças no restaurante, no supermercado e até mesmo nos parques.

Hoje, não vou entrar nas questões cientificas para explicar a importância do brincar para conexões cerebrais, a necessidade da experiencia para ampliação das redes neurais.

Quero conversar sobre como a criança se comporta na ausência que o brincar livre, e os prejuízos que podem acarretar a pobreza de estimulo.

O ponto específico é: a limitação de repertório durante o brincar.

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Os robozinhos são programados para fazer e repetir os mesmo movimentos, criar e recriar e repetir as ações. e agora até tomar decisões. Mas nós humanos pensamos, criamos e imaginamos.

“O que você vai desenhar hoje Claudio?

“Vou desenhar uma casa de madeira”

Na sessão seguinte pergunto novante, “E hoje? O que você quer desenhar Claudio ? O que você quer usar? Você prefere tinta, giz, lápis ou canetinha?

“Quero giz!” Eu insisto em oferecer outro recurso para buscar novas experiencias, pois em todas as sessões ele quer desenhar uma casa de madeira utilizando giz de cera.

Claudio aceita minha sugestão de usar tinta, mas com muito receio para não fazer sujeira… “Tia, quero a tinta, mas não é melhor lápis para não sujar?”

“Podemos usar tinta sim! E se sujar, a gente limpa no final, você me ajuda e fica tudo certo” tento tranquilizá-lo, e no final, sai um desenho lindo, uma praia com duas baleias e um sol bem forte. Muita tinta azul no papel, utilizando o dedo, o pincel e o rolinho.

Quando acabamos, limpamos tudo e Cláudio ficou muito feliz com o resultado de sua obra de arte.

Pois dentre essas e muitas outras experiencias com crianças, tenho percebido dificuldades em aumentar o repertorio, em explorar outras possibilidades de criar. E não somente pela falta de imaginação, ou criatividade, mas acredito que principalmente pela falta de oportunidade em experimentar coisas novas.

Nós seres humanos, somos criativos por natureza.

Precisamos dela para nos adaptar, criar, inventar, resolver problemas e até sobreviver.

Sujar, bagunçar, derrubar, cair, quebrar, rasgar, escorregar…tudo faz parte do processo de aprendizagem e amadurecimento. Não quer dizer que sempre pode ser assim e que não devemos nos importar ou pontuar isso para a criança. Devemos ajudá-la a perceber como melhorar, ter mais atenção, e ela ajuda a organizar e limpar. Mas está tudo bem!

Então, onde está toda essa criatividade das crianças? Não estou dizendo que são todas, não generalizo absolutamente nada, mas que há um numero muito grande de crianças, que não têm sua imaginação e criatividade estimuladas, isso tem!

Para ir direto ao assunto, o que quero dizer humanizar o brincar? Retomar as coisas boas e simples da vida:

  • sujar sem se preocupar
  • experimentar novas maneiras de experimentar as mesmas brincadeiras: descer no escorrega de barriga, pintar com os pés, correr de costas, fazer chuva de papel…
  • inventar brincadeiras para brincar com os pais e com outras crianças
  • brincadeiras sem sapato
  • brincar com água
  • *redução ao tempo de exposição às telas
  • tempo e brincadeiras ao ar livre
  • mais leitura, histórias e cantorias
  • tempo muito maior de abraço, beijo, colo e andar de mãos dadas
  • criação de obras de arte com tinta, com corante alimentício, com flores e folhas, e até legumes…
  • mais invenção de brinquedos e brincadeiras , e menos brinquedos da moda

Não há receita de bolo, sempre repito isso, caso contrário, não seria livre brincar.

Os brinquedos e brincadeiras que já existem, fazem o seu papel em ensinar, promover novas aquisições, preparar para respeito às regras e limites. as brincadeiras pedagógicas e educativas, também têm seu papel, e são muito bem executadas por educadores. Assim como o brincar com objetivo terapêutico, são realizados de maneira muito qualificada pelos terapeutas como recurso de desenvolvimento de novas habilidades.

Mas só brincadeiras assim acabam não suprindo todas as necessidades de descoberta e aquisição de conhecimento que as crianças precisam.

Os pais precisam participar, não participar as vezes e permitir que a as crianças inventem e explorem o ambiente que vivem.

O combinado no final, de guardar e limpar a bagunça, também é essencial para o processo de aprendizagem e responsabilidades com as novas descobertas.

Todo brincar é válido, é importante e essencial para a criança. As telas, a falta de tempo dos pais, a correria do dia a dia, nos obrigam a reduzir o tempo de presença real, de olhar e falar com nossas crianças. Vamos retomar nossa relação humana, não só no brincar, mas em todas as ocasiões do dia.

Mais contato com tato

Vamos permitir que as crianças se divirtam, desde que respeitem a si mesma (com cuidado para não se machucar), respeitem ao próximo (para não machucar o amigo, os pais, ou o animalzinho de estimação), e cuidem do ambiente e de seus materiais (evitando quebrar, estragar e sujar as coisas de outras pessoas e as suas próprias).

Brincar é humano e necessário para um desenvolvimento saudável.

Vamos proporcionar às nossas crianças um mundo mais brincante.

 

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