Vamos conversar um pouco sobre a importância dos estímulos aos bebês e crianças. Esse texto é baseado no artigo da Professora e pesquisadora Audrey Van Der Meer. Professora de Neurociência do Desenvolvimento na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU).

Ao contrário da crença popular, o estímulo aos bebês e crianças pequenas pode ajudar a impulsionar seu desenvolvimento.

“Muitos pais ainda pensam que os bebês devem se desenvolver em seu próprio ritmo e que não devem ser desafiados a fazer coisas para as quais ainda não estão preparados”, Meer.

Os bebês devem aprender a rolar com seu próprio tempo de seu próprio jeito, sem nenhum incentivo “útil”, e não devem apoiar seu peso antes de poderem ficar de pé ou andar por conta própria. Essa mentalidade pode ser rastreada desde o início de 1900. Quando os profissionais estavam convencidos de que nossos genes determinam quem somos e que o desenvolvimento da criança ocorreu independentemente da estimulação a que o bebê está exposto.

Eles acreditavam que era prejudicial acelerar ou incentivar o desenvolvimento. Porque o desenvolvimento deveria acontecer naturalmente.

A estimulação precoce na forma de atividades de ginástica para bebês, massagens para bebês e treinamento precoce de penico desempenham um papel central na Ásia e na África. A antiga teoria do desenvolvimento também contrasta com a moderna pesquisa sobre o cérebro. Que mostra que a estimulação precoce contribui para ganhos no desenvolvimento do cérebro, especialmente nos pequeninos.

Eu particularmente concordo com essa informação! Mas preciso reforçar que não podemos pular etapas. Incentivar a criança a se desenvolver, não quer dizer força-la a realizar movimentos ou tarefas que ainda não tem maturidade. Mas também não podemos cruzar o braço, e deixar o bebê olhando para o teto, esperando que de repente sente, engatinhe e saia andando. 

O segredo é incentivar, apoiar e oferecer espaço para o bebê!

Usando o corpo e os sentidos

A pesquisa usando tecnologia avançada de EEG mostra que os neurônios nos cérebros de crianças pequenas aumentam rapidamente em número e especialização à medida que o bebê aprende novas habilidades e se torna mais móvel.

Neurônios em crianças muito pequenas formam até mil novas conexões por segundo. Os resultados também mostram que o desenvolvimento do nosso cérebro, percepção sensorial e habilidades motoras acontecem em sincronia. Logo após o nascimento, os bebês só conseguem ficar deitados de costas, olhando para o teto.

Eles são incapazes de se locomover sozinhos. E, portanto, achamos que os bebês não são capazes de perceber precisamente a direção e a velocidade do movimento automático. Nem se os objetos estão se aproximando em rota de colisão ou não. Mas depois de apenas algumas semanas de experiência…Vemos que os bebês processam esse tipo de informação muito mais rapidamente e são capazes de distinguir entre muitas formas de movimento. Assim, mudanças nas habilidades de locomoção desencadeiam o desenvolvimento cerebral e perceptivo em bebês. Como resultado, mesmo os bebês menores devem ser desafiados e estimulados em seu nível desde o nascimento.

Eles precisam envolver todo o corpo e os sentidos, explorando seu mundo e materiais diferentes. Tanto em ambientes internos quanto externos e em todos os tipos de clima. Deve-se enfatizar que as experiências devem ser auto-produzidas. Não sendo suficiente que as crianças sejam apenas carregadas ou empurradas em um carrinho.

Sinapses cerebrais não utilizadas desaparecem.

Muitas pessoas acreditam que crianças de até três anos só precisam de abraços e trocas de fraldas. Mas estudos mostram que ratos criados em gaiolas normais têm menos ramificações dendríticas no cérebro do que ratos criados em um ambiente de academia com escaladas, esconderijos e túneis. Claro, que são situações diferentes, mas que podem demonstrar a importância de estímulos e desafios para o desenvolvimento e conexões cerebrais.

A pesquisa também mostra que as crianças nascidas em culturas onde a estimulação precoce é considerada importante, desenvolvem-se mais cedo do que as crianças ocidentais.

Os cérebros de crianças pequenas são muito maleáveis. E podem, portanto, adaptar-se ao que acontece ao seu redor. Se as novas sinapses que são formadas no cérebro não estão sendo usadas, elas desaparecem à medida que a criança cresce e o cérebro perde um pouco de sua plasticidade.

Isso pode ser visto claramente no desenvolvimento da linguagem. Bebês ao redor do mundo conseguem distinguir entre os sons de qualquer idioma no mundo quando eles têm quatro meses de idade. Mas quando eles completam oito meses de idade eles perderam essa habilidade. Os bebês chineses, por exemplo, ouvem a diferença entre os sons R e L quando têm quatro meses. Mas não quando ficam mais velhos.

Como as crianças chinesas não precisam distinguir entre esses sons para aprender sua língua materna, as sinapses cerebrais que transportam essas informações desaparecem quando não são usadas.

Estimulação precoce com os bebês mais novos.

Muita coisa está acontecendo no cérebro durante os primeiros anos de vida. É mais fácil promover o aprendizado e evitar problemas quando as crianças são muito jovens.

O termo “estimulação precoce” continua aparecendo nas discussões de creches e escola.

A estimulação precoce consiste em ajudar as crianças o mais cedo possível, a garantir que tenham sucesso na educação e na idade adulta. Precisamente porque o cérebro tem a maior capacidade de mudar sob a influência das condições em mudança no início da vida.

O jardim de infância deve, portanto, ser mais do que apenas um lugar de espera. Deve ser uma arena de aprendizado. Estimulando cada criança individualmente em seu próprio nível. No entanto, o jardim de infância não deve ser uma pré-escola. Mas sim um lugar onde as crianças podem ter experiências variadas através do brincar.

E com isso quero dizer que brincar não é o oposto de aprender. Mas que brincar é aprender

Isso se aplica tanto a crianças saudáveis ​​quanto àquelas com diferentes desafios. Quando se trata de crianças com dificuldades motoras ou deficiência visual e auditiva, temos que realmente trabalhar para trazer o mundo para elas.

Crianças de um ano não podem ser responsáveis ​​por seu próprio aprendizado. Então cabe aos adultos cuidarem disso. Cabem os adultos intermediarem esse aprendizado. Cabe aos adultos oferecerem ambiente e situações seguras para os bebês explorarem de maneira ativa e adquirirem conhecimento. As atividades não precisam ser direcionadas todo o tempo. Mas precisam ter materiais e espaço adequados para que o bebê descubra maneiras de conhecer o mundo e a si mesmo.

Hoje, nas creches e escolas, funcionários temporários e não treinados tendem a ser designados para os quartos de bebês e crianças pequenas. Porque são “menos perigosos” para os menos experientes, pois precisam apenas de abraços e trocas de fraldas.

Acredito que todas as crianças merecem profissionais qualificados que entendam como os cérebros de crianças pequenas funcionam.

Não podemos subjugar a capacidade de aprendizagem nessa idade. Só trocar a fralda e um abraço, não são suficientes.

Um ambiente rico, oferece estímulos, sensoriais, motores, e rico em afeto.

E como promover um ambiente e atividades ricas e propicias ao desenvolvimento cerebral.

fonte: http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fpsyg.2016.00100/full

Deixe sua opinião

Olá, gostaria saber mais sobre estimulação infantil?
Powered by