Ficamos fascinados ao olhar para um bebê. São muito fofos, não resistimos. Quando olhamos para o nosso bebê então, um serzinho pequenino, tão delicado, frágil e dependente. No inicio não fazem muita coisa, o que não quer dizer que não sabem nada.

Mas o que será que se passa dentro daquela linda cabecinha sem cabelos?

É difícil dizer o que está acontecendo na cabeça das crianças, mas um novo estudo mostra como está acontecendo. Lise Eliot, neurocientista e autora de What’s Going on in There?, traz algumas informações importantes para entendermos o desenvolvimento cerebral dos bebês.

Selecionei sete fatos importantes todos nós, pais, educadores e cuidadores que acredito seja importante conhecermos:

1 – Os bebês nascem cedo demais:

Se não fosse pelas limitações de tamanho da pélvis da mãe, os bebês permaneceriam em desenvolvimento no útero por consideravelmente mais tempo.

Por isso, o cérebro e a mente se desenvolvem nos primeiros cinco anos de vida (Bantam, 2000). Para caber na barriga da mãe, o cérebro recém-nascido tem um quarto do tamanho de um adulto e precisa ter maior desenvolvimento após o nascimento.

Assim, alguns pediatras classificam os primeiros três meses de vida do bebê como o “quarto trimestre” da gravidez.

E assim pretendem enfatizar o quanto carentes, e ainda assim desprovidos de habilidades sociais, os bebês estão nessa fase.

O primeiro sorriso social, por exemplo, geralmente aparece entre a 10ª a 14ª semanas de idade.  E a primeira fase do apego, sugerem os cientistas, começa por volta dos cinco meses de idade.

2 – Sons bobos, “manhês” e rostos

Quando bebês imitam as expressões faciais de seus cuidadores, isso desencadeia a emoção neles também, explica Alison Gopnik em seu livro “The Philosophical Baby” (Farrar, Straus e Giroux, 2009). Isso ajuda as crianças a desenvolver sua compreensão básica e inata da comunicação emocional. Também pode explicar por que os pais tendem a exagerar nos rostos felizes e tristes de seus filhos, facilitando a imitação.O manhês (motherese, em inglês) é outra resposta aparentemente instintiva que os pesquisadores descobriram ser fundamental para o desenvolvimento infantil. Sua musicalidade e estrutura lenta e exagerada enfatizam os componentes críticos de uma linguagem, ajudando o bebê a compreender as palavras.

3 – As respostas dos pais fazem as conexões do cérebro do bebê

O cérebro do bebê evoluiu para usar as respostas dos cuidadores para ajudá-lo a se desenvolver. O córtex pré-frontal do recém-nascido – a chamada área “executiva” do cérebro – não tem muito controle. Então os esforços para disciplinar são inúteis neste estágio. Em vez disso, os recém-nascidos estão aprendendo sobre a fome, a solidão, o desconforto e a fadiga. E sobre como é sentir essas dores e angustias aliviadas. Os pais podem ajudar nesse processo respondendo prontamente às necessidades do bebê, sugerem os especialistas.

Não que um bebê possa ser impedido de chorar. De fato, todos os bebês, não importa o quão responsivos seus pais sejam, têm um período de pico de choro em torno da idade de 46 semanas. (A maioria dos bebês nascem entre 38 e 42 semanas).

Especialistas, como o neuro-antropólogo e autor de “A Evolução da Infância” (Belknap, 2010) Melvin Konner, acham que alguns lamentos iniciais estão ligados ao desenvolvimento físico. Notando que entre culturas chora picos no mesmo ponto após a concepção, independente de quando o bebê faz sua entrada no mundo. Ou seja, um bebê prematuro, nascido com 34 semanas, atingirá seu pico de choro por volta das 12 semanas de idade. Enquanto um bebê a termo, nascido com 40 semanas, chorará mais por volta das 6 semanas de idade.

4 – O cérebro do bebê cresce com evolução astronômica

Após o nascimento, o cérebro humano cresce rapidamente. Ele mais do que duplica para atingir 60% de seu tamanho adulto no momento em que o bebê está provando seu primeiro bolo de aniversário. No jardim de infância, o cérebro atingiu seu tamanho total, (90% aos 6 anos) mas pode não terminar de se desenvolver até que o garoto esteja com 20 e poucos anos.  Mesmo assim,  “o cérebro nunca para de mudar, para melhor ou para pior”.

 

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5 – Escuta

Os bebês têm dificuldade de ouvir, “o que pode ser o motivo pelo qual o choro deles não parece incomodá-los tanto quanto nos incomoda”.

E, em geral, as crianças não conseguem distinguir as vozes do ruído de fundo, assim como os adultos. Portanto, vias auditivas subdesenvolvidas podem explicar por que as crianças dormem tranquilamente em áreas barulhentas.

Pela mesma razão, constantemente ter música ou a televisão no fundo pode tornar mais difícil para os bebês distinguir as vozes ao seu redor e aprender a linguagem. Os bebês não podem aprender a falar na TV ou no rádio; veja o item 7.

Embora os bebês geralmente gostem de música, “a música deve ser uma atividade focada, não um ruído de fundo”.

6 – Lanterna

Os cérebros dos bebês têm muitas, muitas conexões neuronais que os cérebros dos adultos. Eles também têm neurotransmissores menos inibitórios. Como resultado, pesquisadores como Gopnik sugeriram, a percepção da realidade do bebê é mais difusa (leia-se: menos focada) do que os adultos. Eles estão vagamente conscientes de praticamente tudo – uma estratégia sensata, considerando que eles ainda não sabem o que é importante. Gopnik compara a percepção do bebê a uma lanterna, espalhando luz pela sala, onde a percepção do adulto é mais como uma lanterna, conscientemente focada em coisas específicas, mas ignorando os detalhes de fundo.

À medida que os bebês amadurecem, seus cérebros passam por um processo de “poda”, onde suas redes neuronais são estrategicamente moldadas e afinadas por sua experiência. Isso os ajuda a trazer ordem em seus pensamentos e ações, mas também torna mais difícil inovar e criar inovações.

7 – DVD, videos, aplicativos educativos são inúteis

Pesquisas recentes enfatizam que as respostas sociais são fundamentais para a capacidade da criança de aprender completamente a língua.

“Os bebês dividem o mundo entre coisas que respondem a eles e coisas que não o fazem”, disse Goldstein.

E coisas que não, não ensinam. Uma gravação não segue as dicas de um bebê, e é por isso que DVDs infantis, como Baby Einstein e Brainy Baby, são ineficazes, explicou ele.

Se você quer ajudar seu bebê a ser inteligente, jogue fora os flashcards e vídeos, disse Eliot, e brinque com seu bebê.

A melhor maneira de estimularmos o desenvolvimento do cerebral dos bebês, interação, conversas, e muito afeto.Esse contato estruturado, fortalece e permite as conexões que os bebê vão precisar para a vida.

 

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